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jul. 22, 2026

Perenidade como bússola para inovação

por Sabrina Ribeiro*

O senso comum costuma associar a inovação no setor imobiliário ao uso de tecnologias de prateleira ou soluções prontas que prometem, por exemplo, digitalizar o canteiro de obras da noite para o dia. No entanto, o mercado tem amadurecido e a pressão de diversos stakeholders – de investidores, das municipalidades até os clientes finais – elevou a barra: não basta parecer inovador; é preciso entregar eficiência e impacto real. Essa demanda crescente por um segmento mais ágil e transparente tem nos impulsionado a investir mais em desdobrar o conceito de inovação e estimular uma mentalidade inovadora em toda a estrutura. Isso nos afasta de “departamentos que pensam o amanhã” e nos aproxima, diariamente, da prática de repensar o modo que operamos hoje para, assim, nos manter relevantes no futuro.

Ao longo da minha carreira, um valor que tem sido inegociável é a perenidade das ações. Ou seja, tenho direcionado meus esforços para construir ações e soluções de longo prazo, que sejam escaláveis, exequíveis e tragam resultados reais. Isso, tendo como elemento estrutural a agilidade. 

Vejo a inovação da mesma forma. Inovar é um exercício profundo de engenharia corporativa que leva ao que Junior Borneli, Cristiano Kruel e Piero Franceschi cunharam como organizações infinitas em seu livro de mesmo nome. Empresas que “vivem para sempre” são construídas para que se mantenham sólidas, respondendo às exigências de um ecossistema cada vez mais complexo, e, ao mesmo tempo, entregando valor. Para que essa movimentação seja real e não um “voo de galinha”, ela precisa estar sustentada em uma tríade fundamental que praticamos na Cury com dedicação: contexto, estratégia e operação.

A inovação é a resposta a uma leitura nem sempre precisa das lacunas do mercado. Entender o contexto, nos apoia e posiciona frente ao cenário atual e suas tendências, e isso vale para análises de macroeconomia, momento político econômico local, mercado e, não menos importante, a cultura corporativa. O contexto influência o norte que impede que a empresa gaste energia com soluções que não param em pé ou que não contribuem para o propósito da organização.

A partir desse entendimento, avançamos para a estratégia. É aqui que a governança se revela como o verdadeiro pilar. Frequentemente, o mercado reduz o ESG a um checklist ambiental, mas, nesse sentido, é o “G” de Governança que garante a sustentação de qualquer avanço. Uma estrutura de governança robusta permite que grandes movimentos corporativos sejam planejados com visão de longo prazo, com transparência e accountability. É a estratégia que define como vamos escalar a eficiência sem sacrificar a margem, transformando boas ideias em diretrizes de negócio perenes.

Neste ponto, trago uma provocação essencial: a coragem de dizer “não” para aquilo que não é escalável. Inovar também é saber filtrar o ruído. Uma solução só é verdadeira se ela puder ser aplicada do primeiro ao milésimo cliente, apartamento, transação, mantendo a mesma precisão. Iniciativas de vitrine, que funcionam em um projeto piloto, mas morrem na complexidade do dia a dia, são o oposto do que buscamos. O foco estratégico deve estar no que resiste ao teste da escalabilidade.

Por fim, o ciclo se completa na operação, seja ela no canteiro de obras ou na gestão dos processos. É onde a teoria se encontra com a realidade. Na minha visão de negócio, a inovação só recebe esse nome se for exequível e, acima de tudo, se for abraçada pelas pessoas. Afinal, processos não se movem sozinhos. A cultura de execução é o que nos faz ganhar tração; é o cuidado com quem está na ponta que garante que a tecnologia – o processo, ou qualquer coisa que inove o trabalho – seja uma aliada da produtividade, e não um fardo burocrático.

Assim, uma boa leitura de contexto, faz com que tenhamos a estratégia calibrada para operar melhor, favorecendo a alta performance. E sabe o mais instigante disso tudo? É que esse ecossistema se retroalimenta: ampliando a capacidade e a qualidade da performance, novos horizontes estratégicos se abrem, fazendo com que tenhamos ainda mais precisão diante dos contextos. 

No mercado imobiliário, os ciclos são longos e a consistência é o que separa os líderes dos demais. Inovar é, em essência, fortalecer a governança para que a operação seja cada vez mais ágil, transparente e rentável. Nosso compromisso é com o que fica: equilibrar essas frentes para garantir continuidade e entrega real para a sociedade.

* Sabrina Ribeiro é Diretora de Operações da Cury. Mineira de Belo Horizonte e apaixonada por transformar estratégia em crescimento real, atua há mais de 25 anos no mercado imobiliário.Tem como marca pessoal a disciplina na execução, a visão estratégica de longo prazo e a capacidade de conectar negócios, pessoas e inovação para gerar escala e perenidade.

Acredita que grandes resultados nascem da combinação entre inteligência de negócio, simplicidade na execução e relações humanas genuínas. Agregadora por essência, leva para a liderança autenticidade, visão de futuro e foco em soluções que movem o negócio.